quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Crônica de um Nordestino

Meu nome é João. Eu era um hómi arretado, mas muito arretado, só que minha história, num é sobre isso não, é sobre quando eu encontrei o Capeta!

Conheci minha mulher quando ela estava levando água para sua casa, ela passou em frente ao meu casebre; quando a olhei, paxonei de primeira vista. Seu nome? Maria.
Um ano dispois de termo namorado, nóis casamo, fomos felizes por muito tempo, até que começamos a brigar e brigar.

Todo dia, nóis brigava por algo, todo santo dia.

Um dia, acordei e fui direto pra sala, liguei a televisão e sentei na mesa de café, não se passou nem dois segundos e Maria chegou com um pão e um copo com café na mão, com uma cara arretada de brava, ela pôs o pão e o café na mesa.

- Come logo que cê tem que trabalha João. Ela me disse com um tom de cansaço.

- Oushi, vai começar o dia assim? Com essa cara de quem comeu besouro?

Ela simplesmente olhou para mim com a cara mais brava que tem no Brasil! Ou melhor, no Nordeste.

Quando terminei de comer, me levantei e deixei nosso casebre sem deixar um unico piu.

Depois de uma quadra, entrei num terreno baldio e peguei minha brasilia, fui dirigindo até a fazenda em que trabalhava, - mal sabia eu o que iria acontecer -.
No meio do caminho, me deparei com um homem moreno no meio da rua, - e estava do jeito que nasceu, pelado -. Parei o carro bem em frente ele, quase que atropelo o hómi. Quando eu abro a porta do carro pra ver se ele estava bem, o homem simplesmente falou;

- João, acalme-se, tenho um trato para tu homem.

Num piscar dos meus olho, eu tava em frente um rio, chein de peixe; quase não se via aquilo onde eu morava, porém, o hómi que tava no mei da rua, tava agora todo vestido com uma toga e sua pele clareou-se até o ponto de ficar branca feito papel, seus cabelos ficaram grisalhos e brancos e seus olhos ficaram azul como o mar.

- João, como vai Maria? Anda bem? Perguntou-me o homem.

- Bem, mas nervosa. Respondi-lhe.

- Sabes quem eu sou João? Perguntou-me com um tom de voz calmo.

- N-N-N-ão...

- Ora João, sou Satánas...

Logo após sua resposta, comecei a ofegar e meu coração bateu feito louco.

- Não fique com medo, quero fazer um trato, só isso! Disse-me.

- Como assim? Eu lhe perguntei com um tom carregado de medo.

- Eu te dou tudo que quiser; dinheiro, fama, fazendas... e uma mulher maravilhosa! Mas em troca, terei um favor seu.

- Qual favor?

- Terá de matar um homem, um homem que gosta de viver! Parece até que sabe que eu levarei sua alma para o inferno...

Desta vez, um silencio congelante permaneceu o local e eu comecei a pensar; "Matar alguem? Mas será que isto não me levaria para o inferno, sei que o Demônio é esperto... mas, são tantas coisas, e seria tão bom largar Maria e ter a mulher dos meus sonhos..."

- Sim ou não? Perguntou-me o Diabo.

- Tá baum! Eu faço!

- Ótimo, terá de simplesmente matar Martinez da Silva, ele é dono de uma fazenda fora da cidade, tem cabelos negros e encaracolados e sua pele é morena, em alguns pontos sua pele está em carne viva - por causa do sol, claro -, terá uma semana, se não matar ele em uma semana, nosso trato será quebrado e nunca mais me verá!

Assim, ao estalar de dedos, voltei para o meio da rua e o Capeta tinha sumido.

Pensei "Estou muito abalado para ir trabalhar, vou voltar para casa..."
Entrei na minha brasilia e voltei para meu casebre numa velocidade tão rapida que fiquei até com medo de ser multado. Ao chegar em casa, eu vejo Maria na mesa chorando, com uma tigela de torradas queimadas.

- Que se passa Maria?

- Desculpa João, não quis ficar brava, me perdoe por favor.

Estava bravo, e sabia que iria arranjar uma muié nova bem mió, então sentei com a cara amarrada e peguei uma torrada, - a mais queimada -.

- Como estão as torradas João? Disse Maria enxugando as lagrimas.

Com aquele olhar e aquela voz meiga, eu comecei a pensar porque me casei com Maria, e eu pensei como seria minha vida sem ela, - casado com a mulher perfeita que nem conheço -.
Não queria mais fazer o trato com o Capeta, era perigoso, e eu amava Maria.
Então percebi, que a mulher perfeita era Maria, então simplesmente, com uma cara de satisfeito, lhe respondi;

- Baby, eu adoro torrada queimada.

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