É sempre ótimo ver um daqueles filmes cheios de efeitos especiais de Hollywood. Mas é muito bom também tentar conhecer o cinema que é feito em outras partes do mundo. O filme dessa semana, A Casa (veja trailer abaixo), foi produzido no Uruguai e é uma boa chance de conferir o cinema feito fora dos Estados Unidos.
Crítica:
Pode prestar atenção: quase toda piada parte sempre de uma situação completamente absurda, que existe apenas para justificar a existência da própria anedota. É essa sensação que resume A Casa, mais um filme a entrar para a lista dos que tentam sugar a última gota de sangue da onda de filmes de terror supostamente baseados em fatos reais.
Trata-se de um filme curto (cerca de 80 minutos apenas) em que presenciamos estranhos acontecimentos atormentarem uma moça que se encontra sozinha num lugar isolado. A Casa foi inteiramente feito numa tomada só, o que significa que não há cortes, a câmera não para de registrar a ação em nenhum momento, as cenas são contínuas. Infelizmente, é aí que começa o erro.
Por se propor a não ter cortes, somos obrigados a participar de cenas extensas e entediantes, que em nada contribuem para a trama. Isto acaba por cansar o expectador e empobrecer a tensão que o diretor tenta, em vão, criar.
Contudo o maior defeito do filme é mesmo sua história, como dita no início do texto, absurda. Não que a premissa seja ruim, pelo contrário – mas o roteiro é tão fraco que chega a ser risível. Um exemplo disso é o sono absurdo do pai da moça no começo do filme. Como falamos de um único plano-sequência, acompanhamos o senhor completamente disposto e cheio de energia cair em sono profundo em menos de dois minutos – a ponto de não ouvir os barulhos assustadores que perturbam o descanso da filha. Sem falar nas atitudes antinaturais dos personagens (por que a moça tenta sair da casa apenas no ato final do filme, quando seria a coisa mais óbvia a fazer desde o começo?).
Além disso, a ação do filme começa de forma abrupta, sem preparar o clima para que entendamos o que se passa. Assim, quando a personagem abre uma porta, não sabemos se ela busca a entrada, a saída, um armário ou um quarto, pois não fomos devidamente apresentados ao espaço geográfico.
Não que A Casa não tenha boas cenas, tem sim. Mas os momentos mais memoráveis encontram-se perdidos no meio de tantos erros – como uma jovem presa dentro de uma casa isolada do mundo.
Trailler:
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